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domingo, 15 de abril de 2018

Quem disse que não se pode usar vestidos enquanto se amamenta?

Wrooooong!!

No meu tempo (já posso dizer isto que ela já tem quatro anos) tive que me privar de usar vestidos enquanto a amamentava. Quando abria o armário para escolher a roupa, o critério "isto dá para pô-las bem de fora?" era sempre a primeira coisa em que pensava. Ok, é mentira. Era a segunda. A primeira era: "serve?". 

Fiquei feliz quando soube que uma das minhas bff, a Filipa Galrão (já vão 10 anos de amizade e de trabalho na mesma equipa), ia lançar uma linha de roupa que servisse a todas as mulheres e em todas as fases das suas vidas, inclusivé quando amamentam. Também deve ter sido por isso que fui convidada para a sessão fotográfica, deve ser para testar o tamanho 40 dentro do tamanho único das peças, ahah. Guess what? Lindona. 


Este é o vestido Bethânia ~ Linho grosso da cor da areia com pregas moldadas e costuradas à mão.
Tem dois fechos ocultos na zona do peito que permitem a amamentação prática e fácil 🤱




São peças-investimento. Peças que além de serem feitas à mão e com muito carinho não só na manufactura, no desenho, mas também pela mulher. A mulher que não é sempre a brasa dos 20, mas que é brasa em todas as formas e tamanhos e fases. Não somos um bolo. Não temos de caber numa forma. 

O que isto me teria ajudado na minha altura. Confesso que nunca amei as minhas mamas e, por isso, amamentar em público não foi algo que me surgisse facilmente. Experimentei a técnica do avental (comprei o mais giro de todos na net), depois vi que não resultava. Depois tentei amamentar em casas de banho de restaurante, fechada no carro, dar antes de sair de casa e assim que chegava (o que fazia com que passeássemos a correr e com tempo contado e cheia de nervos), mas desisti. Amamentar é natural e é para isso que servem as mamas em primeiro lugar. Não tinha era roupa que me facilitasse a tarefa. E tinha saudades de usar vestidos (é a roupa que me ficam melhor por ser coxuda). 

Vocês agora vão poder usar vestidos e lindos. Não só o Bethânia que me viram toda tesudona aí em cima mas também, por exemplo, este que a Catarina Beato do Dias de uma Princesa está a usar: 

"Coco Dress"

Para além dos vestidos há também outras peças muito giras que podem ver no site aqui. Depois faço um post com mais fotografias das outras peças que isto o scroll já vai longo e se estiverem a ver com dados no vosso telemóvel, devem estar quase a receber uma mensagem a dizer para acalmarem o... :)

Entretanto, além das peças da Mamii têm mais um motivo para recomendar o site às vossas amigas. É também uma plataforma de ajuda e aconselhamento na amamentação, em parceria com a Clínica Amamentos.  

Mas, não se esqueçam, a maior chave para o sucesso de tudo aquilo que queiramos fazer (em qualquer fase em que estejamos) é ter o melhor apoio do mundo e o da Filipa é muito o da Joana Machado que a tem feito acreditar que tudo é possível e lhe tem dado uma força enorme. 

Por isso, parabéns a vocês, miúdas por acreditarem e conseguirem e... parabéns a todas nós que temos roupa que nos respeite e ajude!


Fotografias: Pau Storch
Roupas: Mamii
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

E vais amamentá-la até ela ir para a faculdade?

No outro dia, como algumas de vocês terão reparado, fui à SIC dar o meu testemunho de alguém que amamenta a filha com 4 anos. O que se tem chamado de "amamentação prolongada/tardia" mas que, realmente, não é nada mais nem nada menos que amamentação.

E, enquanto estava a ser entrevistada, fui-me apercebendo da quantidade de cenários imaginários que deverá haver na cabeça das pessoas que nunca passou por esta situação. À semelhança dos rapazes que, quando são novos, perguntam: "Se usas tampão, como é que consegues fazer xixi?". 

1) A Irene come outras coisas. 

A Irene toma pequeno almoço, almoço, lanche e jantar "como as pessoas". O leite materno não entra como complemento em nenhuma refeição. Consome bebidas vegetais e ocasionalmente um iogurte ou outro, mas nada frequente. 

2) Eu não ofereço mama à Irene. 

Eu não ando atrás da Irene para ela mamar, nem lhe ofereço mama. Eu amamento-a ainda por estar a respeitar o ritmo e a vontade dela. Creio que pouco terá que ver comigo a este ponto.




3) A Irene não pede mama ao longo do dia. 

A frequência das mamadas vai desaparecendo com o tempo (às vezes com previsíveis retrocessos em alturas que estejam mais carentes ou em saltos de desenvolvimento/crescimento). Neste momento só mama antes de adormecer (diariamente à noite ou, ao fim-de-semana, antes da sesta). A semana passada, por estar mais carente (e meia adoentada) pediu também mama de manhã, mas não é comum. Quando era mais pequena nem contava o número de vezes que ia à mama e é por aí que também passa a "livre demanda" (a maneira ideal de amamentar os bebés). 

4) Quando pede mama, espera. 

Eu que nunca fui a pessoa de "ahhh são só mamas, amamento onde for". Sempre que amamentei em público me senti um pouco desconfortável (por mim, mesmo que não houvesse comentários), mas tive de passar a fazê-lo. Era impossível fazer a nossa vida sem considerar essa hipótese e amamentar em casas de banho (e tinha de amamentar em pé que, em crises, era só assim que a Irene aceitava) não é de todo agradável. Nunca me apetece comer quando me cheira cocó. Mas isso sou eu. E, por isso, já desde há muitos meses que quando ela pedia mama e estávamos na rua eu explicava: "quando chegarmos a casa". 

5) Já não me doem as mamas ou pingo leite

Quatro anos depois a amamentação não é de todo o mesmo que no início. Já nem exerce a função alimentar (a de carinho, apêgo e de fornecimento de defesas e ajuda na construção de defesas) como incialmente. Pelo que as mamas não incham, não doem, não tem que se tirar leite, etc. 

6) "Mas isso não é já só vício?"

Nope. As crianças têm mesmo necessidade de sucção e até estando elas associadas à mama da mãe, vão gerindo a sua necessidade com algumas limitações, sendo que a mãe, por esta altura, já não está em todo o lado. Durante a noite também dormem sem ter que chuchar (se calhar há uns que, entretanto se habituaram à chucha e não tem mal :)), na escola não podem levar a mama da mãe atrás, etc. Faz sim, parte de um ritual, isso sem dúvida. Já reparei que, quando vamos dormir a outros sítios, há menor probabilidade dela se lembrar que quer maminha antes de adormecer.

7) "Mas vais amamentá-la até ela ir para a faculdade?"

Não. Até porque ela não vai ser obrigada a ir para a faculdade. Escolherá o seu caminho, sendo que a faculdade será apenas uma das opções (ahah, ela tem só 4 anos mas já pensei nestas coisas). Apesar de querer que seja o ritmo dela que determine grandemente a amamentação, o meu conforto e vontade também é importante. A idade "normal" de desmame na nossa espécie é entre os 2,5 e 7 anos de idade. Se aos 9 ainda mamasse, a situação teria de começar a ser gerida de outra maneira. Quanto mais aos 18. Ahah Nem imagino, ela estar a ouvir a Mega Hits, a fumar um cigarrinho entre mamadas (ahah).

8) Não te dói com os dentes? 

Miúdas, para quem teve um início de amamentação complicado, a fase dos dentes é só a coisa mais tranquila do mundo. No caso da Irene, ela mordeu uma vez, olhei nos olhos e comecei a fingir que estava a chorar e ela percebeu que me magoava. Tive sorte que me percebeu bem. Agora, com 4 anos de mamanço em cima, já ela sabe mamar a fazer o IRS ao mesmo tempo e eu também.




9) E as mamas? Têm ficado cada vez mais mirradinhas? 

Honestamente, até já começaram a melhorar. Dantes notava diferença quando estavam cheias e vazias, agora já estão sempre "neste estado". Não têm piorado, nada disso. Até tenho bicos nos mamilos, coisa que nunca tinha tido e que me faz sentir toda tesudona. Acho que até amamento só por causa disso.


10) Mas isso ainda faz alguma coisa?

Faz. Ajuda a passar defesas para o bebé e também ajuda na construção das suas próprias defesas. Isto além da questão emocional. Um bebé que sempre tenha mamado e que possa fazer o desmame ao seu ritmo tem uma experiência mais calma do processo. É como ouvirmos a nossa música preferida e, em vez de a ouvirmos até ao fim, alguém desligar a meio (enquanto dançamos e curtimos) e sem conseguirmos entender "porque é que me fizeram isto?". E, já agora, essa música preferida ser "a mãe" e ter sido a "mãe" a desligar.


Tudo o que já escrevemos sobre amamentação aqui. 
Fotografias: Joana Hall
Macacacões: Little Jack

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Amanhã vou à SIC!

Ahhh que amanhã vou conhecer a Júlia Pinheiro (já a vi uma vez ou outra no refeitório da SIC), mas nunca privei com ela. Sou aquela pessoa que, falando com ela iria sair algo perfeitamente irrelevante na sua presença, tipo: "eu às vezes almoço com o seu filho e acho que ele simpatiza comigo".

So what? 

Vou tentar restringir a comunicação ao essencial. Não tentar ser engraçada porque me pode correr mal. 

Estou cheia de medo que, assim que me sente, me saia qualquer coisa como "PÍNCAROS", "SOUFLÉ!", sei lá. 

Estou calmamente em negação. Já não fico nervosa com "ir à televisão", mas... estar com Miss Júlia é diferente. 

Vou estar em directo com a Dra. Graça Gonçalves para dar um testemunho sobre a minha aventura (e da Irene) da amamentação prolongada. 

O que vestir?? 


Nota: Afinal não vai a Júlia buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Tudo o que queria saber e não quis perguntar sobre amamentação.

Há tanta coisa que não sabemos antes de amamentar e que, às vezes, nem durante. Pus-me no meu lugar antes de amamentar e tentei esclarecer-me sobre algumas coisas. Espero que seja útil :) 


"A filha da Joana tem 4 anos e só mama?"

A amamentação vai mudando ao longo do tempo. Tem fases em que a criança ou o bebé podem pedir mama mais vezes e outras menos mas, creio que o habitual (e não "normal", porque sei lá eu) é que as mamadas vão diminuindo com o tempo, apesar de não ser linear. Neste momento, com quase 4 anos, a Irene só mama ao deitar da sesta ao fim-de-semana e antes de adormecer para a noite. 

"Dói muito amamentar, não é?"

É e não. Não é suposto doer. Há mulheres que têm experiências só fabulosas com a amamentação e há outras que nem tanto. Se dói é porque há algo a corrigir como a pega, por exemplo, ou até poderá ser da formação da boca do bebé. Importante pedir ajuda asap para não comprometer a amamentação junto de especialistas da amamentação. Procurem por Rede Amamenta ou Clínica Amamentos, por exemplo. Uma simples pesquisa no Google poderá ajudar e muito (a vocês ou a uma amiga, por exemplo). 



"Quando depois estás na cama ele fica cheio de leite?"

Ahah! Isto seria mais ou menos como faria a pergunta. Se, quando estamos a fazer amor, nos sai leite pelas mamas ou não. E a verdade é que sim e não. Depende da fase da amamentação, por exemplo. Se a amamentação ainda não estiver estabelecida,  nalgumas mulheres é provável que saia leite mesmo sem manuseamento. A hormona que ejecta o leite é a mesma do "amor", por isso... Noutras fases da amamentação, com manuseamento poderá sempre sair, claro, mas já não "interferirá" tão directamente. Pus o "interferirá" porqueeeeeee há gostos para tudo e não sou ninguém para julgar, ahah. 

"A que sabe o leite?"

Já provei, já. Lembro-me de não ter ficado chocada. É o que é, faz sentido. É doce, por exemplo. É normal que eles gostem tanto também pelo sabor (que vai mudando consoante os alimentos que comamos e, por isso, há estudos que dizem que os bebés amamentados poderão ter maior tolerância a novos sabores). 

"Tem-se mesmo de usar aqueles soutiens muita ridículos?"

Calllma! Nem todos são ridículos, mas aconselho vivamente a que usem. Quem amamente, conhece todo um novo significado para a palavra "disponibilidade" e ter um soutien que não nos enerve é fundamental. Mesmo em casa usei soutien nos primeiros tempos porque não ganhava para andar sempre a tocar a camisola com imenso cheiro a leite azedo e punha daquelas almofadinhas absorventes nas mamas. 


"Não tenho bicos nas mamas, o bebé vai mamar onde?"

Eu também não tinha. Os meus mamilos pareciam um pires de uma bica (sexy ahah) mas, com o tempo, o bico foi-se formando. Além de que há técnicas para os ajudar a fazer melhor a pega no mamilo, mesmo que ainda não se tenha o bico. Agora, meninas, 'tou cheia deles! haha Só ainda amamento por causa disso. 

"As mamas depois vão para o galheiro, não vão?"

Vão mais ou menos. Depende. Com um desmame natural tenho reparado que as mamas passam também elas por fases e não estão como estavam antes de amamentar (adeus meus 27 anos e tetinhas rijas que pareciam maçãs verdes), mas não tenho vontade de me esconder se for para trocar de roupa algures ou para fazer o sweet love. 

"Toda a gente que amamenta não dorme?"

Not true. Há bebés amamentados que têm um ritmo de sono já confortável para os pais e há bebés a biberão que nem por isso. Não sou especialista (sou da #teamconstançacordeiro), mas acredito que terá mais que ver com a segurança de cada bebé e dos hábitos, sejam eles através de que meio. Leiam aqui que a Irene não dormiu a noite toda até aos 3 anos. Além disso, para quem amamente, há sempre a experiência do co-sleeping que torna tudo muito mais prático para todos. 



"Dás de mamar na rua?"

Agora já não. A Irene tem 4 anos. Peça ela o que me pedir (bolachas ou mamas) já não vou a correr satisfazer. Protelo e remeto para o hábito instaurado, se possível. Não vejo necessidade aos 4 anos de dar mama na rua, já dá para dialogar e levar lanche ou já se tem outras ferramentas para transmitir carinho e amor. Dei sempre mama na rua. Sempre que era só eu e a Irene fi-lo. Com o meu ex, como o deixava desconfortável ou quando a Irene estava numa fase de parecer que estava a ser possuída pelo diabo preferia ausentar-me para um local mais calmo, mesmo que isso signifique enfiar-me na casa de banho. 

"O bebé vai mamar 8890789 vezes por dia até aos 6 meses?"

Não e sim. O bebé deve mamar sempre que pedir já que as necessidades podem ser de ordem variada e não conseguirmos comunicar com ele verbalmente. Optei pela mama ser sempre a primeira opção. Depois logo se veria o que era. Há fases muito esgotantes de maior ansiedade ou os saltos de crescimento e picos de desenvolvimento mas, com o tempo, vão diminuindo as mamadas. Aos 6 meses começam-se a acrescentar outros alimentos e, com o seu tempo, o bebé irá aceitá-los e gradualmente irão substituindo mamadas. Vai ficando "mais fácil", prometo.


Só para terminaaaarrr: leiam estes textos sobre os mitos da amamentação que talvez vos ajudem ou a alguma amiga, partilhem ou leiam aqui tudo o que já escrevemos sobre amamentação. 

Mais alguma pergunta, podem fazê-la em anónimo que tentarei responder ou as outras mães que estão a ler poderão esclarecer a vossa curiosidade :) 



Fotografias - Joana Hall

Roupas - Little Jack Baby Clothes (óptimo para amamentar)


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Ainda mama?

16 meses. Mama. E acho que é a coisa que mais gosta de fazer na vidinha dela.

Eu também gosto. Muito. Menos durante a noite, confesso (ainda se fosse de 3 em 3 horas ou 4 em 4 horas... mas não, é quase de hora a hora) - calma, não são todos assim, não vamos culpar a mama (provavelmente sem mama também acordaria), e, assim que passe o período de adaptação à escola, iremos a uma consulta tentar descortinar o que se passa e ver se há coisas, que não sejam agressivas, que se possam fazer para melhorar as nossas vidas.

Não me espanta o espanto com que reagem ao facto da Luísa ("ainda") mamar. As pessoas não estão habituadas a ver. Perdeu-se, ao longo dos anos, esta partilha, principalmente no ocidente. Por isso, considero importante fazê-lo, com naturalidade, quando tiver de ser. Já houve sítios onde a distraí com outras coisas porque não me apetecia; mas, na maioria das vezes, não me incomoda absolutamente nada. Percebo que cause estranheza - já anda, já come com a própria colher, já parece tão autónoma e "ainda" mama? Habituámo-nos a achar que só os bebés até aos 6 meses mamavam (máximo dos máximos, 1 ano...). Mas, não, os bebés devem mamar, caso a mãe queira e tenha essa possibilidade, no mínimo, até aos dois anos. A partir daí, acontece o desmame natural que se poderá situar, segundo estudos antropológicos, entre os 3 e os 8 anos. Isto seria o "desejável", mas defendo que não tem de ser necessariamente a nossa escolha.

Todas conhecemos uma tia, uma avó, uma vizinha que deu de mamar até tarde, até o puto "ir para a escola". E, lá está, por falta de hábito, achámos estranho. Eu, com uns 19 anos, confesso, achei estranhíssimo quando uma miúda se levantou da sua cadeira e foi pedir maminha à mãe. Preconceito meu. Falta de hábito. Desinformação.

Agora, e respeitando quem não o queira - ou não possa - fazer, respeito igualmente quem faz amamentação prolongada. Já não me causa estranheza. Já sei que é normal. Que não é sinónimo de carência, de falta de autonomia, do que quer que se acuse, infundadamente, apenas por preconceito e desconhecimento.

Eu não sei até quando irei amamentar a Luísa. Por enquanto, estamos bem assim e não me imagino sequer a cortar-lhe com a coisa que ela mais gosta no mundo. E que, ainda por cima, lhe faz tão bem, nutricional e emocionalmente falando (porque, ao contrário do que se possa pensar, lhe traz segurança). Irei fazer ouvidos moucos a quem me disser, apenas por achismos, que já não faz sentido amamentar.

E com esta minha experiência quero passar-vos apenas isto: quem decide a hora do desmame é o bebé, a mãe, o bebé e a mãe. Os outros não entram nesta equação.






 Fotografias - The Love Project
Tudo o que já escrevemos sobre

 
www.instagram.com/joanapaixaobras

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

"Bebes álcool a amamentar?"

"Bebes álcool a amamentar?!" É uma das perguntas mais recorrentes quando publico alguma coisa deste teor. E é legítima e pertinente. Não quero, de forma alguma influenciar-vos nessa escolha. Esta é a minha. Há quem não toque numa gota de álcool enquanto amamenta. E faz muito bem. Há quem toque, pontual e moderadamente. Fará mal? A resposta a esta pergunta dependerá de muitos factores.

Nos primeiros meses da Luísa não toquei em álcool. Faria de novo igual, por mamar em livre demanda e, por isso, não conseguir estimar nunca quanto tempo depois iria precisar de mamar. Agora, um ano depois, de vez em quando, em algumas situações e contextos, bebo um copo de vinho ou uma somersby. Antes de tomar esta decisão, informei-me. 

Quais os riscos do álcool enquanto se amamenta? 
Quais as quantidades limite? 
Dependerá também do organismo / peso da mãe? 
Quantas horas esperar até amamentar de novo?
eram as dúvidas que me surgiam. 

Partilho convosco a informação que encontrei.

No site e-lactancia (feito por profissionais e onde encontro sempre resposta ao risco ou compatibilidade de certos medicamentos com a amamentação) não é aconselhado: risco elevado. "Durante a amamentação é recomendado não consumir álcool ou consumir ocasional ou moderadamente". Aponta as quantidades, a percentagem de álcool e o tempo de espera até o álcool desaparecer do leite e do sangue, dependendo também, claro, do peso da mãe

Tempos de orientação para mulheres com 60 kgs
2 horas e meia sem amamentar depois de:
- um copo de vinho 12% (120 ml)
- 330 ml de cerveja 4,5%
- um copo de 30 a 40 ml de licor de 40%-50%  

Portanto se se beber dois copos de vinho, esperar 5 horas; três copos de licor: 7 horas e meia... etc.

[Desmonta também o mito de que a cerveja estimula a produção de leite: aumenta ligeiramente os níveis de prolactina, mas seda o lactante e inibe a produção de ocitocina da mãe e portanto o reflexo de ejecção de leite, reduzindo a produção de leite entre 10 a 25%.]

A La Leche League tem este texto fantástico que explica tudo muito bem. Comer ou não comer também influencia, assim como o nosso organismo. A idade da criança também deverá ser tida em conta.


Susana Cabaço Fotografia
Site aqui.


Como não quero ser responsável pelas vossas escolhas, aconselhem-se com o vosso médico e com o pediatra, se quiserem fazer escolhas mais seguras. E sempre, sempre, beber com moderação (amamentando ou não), certo? Certo.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A minha filha tinha fome e não comia.

Sei que o título sugere que a Irene tenha voltado a ter mais uma convulsão, mas ainda não. Não é disso que vos quero falar  hoje. Como devem saber, estamos na semana do aleitamento materno e isso pôs-me a pensar um bocadinho no que foi a nossa experiência inicial e lembrei-me. Lembrei-me que aos 3 meses passamos por uma fase horrível porque a Irene não queria mais mama. A Irene sempre que a punha na posição clássica para amamentar, chorava e chorava. Esperneava muito irritada e revoltada como se tivesse um trauma. 

Foi muito angustiante para ambas. A minha filha poderia estar com fome e havia algo que eu não percebia que estava a impedir que o "natural" acontecesse. Agora que já me tinham deixado de doer os mamilos, que já não dizia (para dentro) fo**-se, sempre que ela abocanhava e iniciava a sucção (não tem que ser assim e não é assim com todas as mães), estava a acontecer algo que eu não percebia e que me deixava de rastos. 

A Irene não fazia as mamadas do costume e começou a rejeitar-me (à mama, mas vocês sabem que o que sentimos é o que escrevi). Falei com a "minha" pediatra, em busca de algum acompanhamento, recebi a indicação de tentar tirar com a bomba e dar no biberão que, com a minha ansiedade (além das dificuldades inerentes a conseguir extrair leite com a bomba que é sempre inferior à capacidade de sucção de um bebé), fazia com que a ejecção de leite não acontecesse, ainda para mais com ela a chorar desalmadamente. 



Desisti e fui comprar o leite de lata à farmácia. Chorei pelo caminho porque não era aquilo que eu queria para nós as duas, mas não podia correr o risco da minha filha eventualmente estar a passar fome só por teimosia minha, fundamentalismo ou necessidade de validação pessoal. 

Fui. Preparei o leite e quando lhe pus a tetina na boca (numa posição esquisita), não o aceitou. Sorri, fiquei aliviada e percebi talvez não fosse fome. Descobri que, durante a noite, continuava a mamar como "deve ser" e que não estava a perder peso. Talvez os nanossegundos que ela mamava até reparar que estava na posição para ser amamentada (seria um torcicolo? - pensava eu) chegassem para não ter fome. 

Li. Li. Li. Li. Falei com especialistas (em amamentação, não pediatras porque tanto podem sê-lo como não ser e o normal é não o serem) e percebi que ia passar. 

Lá me deram a recomendação do "fazer muita pele com pele" e foi demasiado tempo até passar, a descobrir "truques", com muita ansiedade à mistura, muita dor de braços por ter descoberto que até aceitava ser amamentada ao colo, mas comigo de pé e a cantar, mas já está. 

Isto tudo para vos dizer que a amamentação - tal como tudo na vida, parece-me - tem coisas boas e coisas menos boas, mas que poderá haver uma possibilidade de ultrapassar as más com o devido acompanhamento.

Li que havia uma "crise dos três meses" que coincide com um salto de desenvolvimento o que me ajudou a perceber que todo aquele caos e desordem, até era sinal que estava tudo a correr como esperado. 

3 anos depois cá estamos. 

Força.

Procurem ajuda junto da Amamentos ou na Rede Amamenta, por exemplo. 


Outras coisas para ler: 
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Tudo o que já escrevemos sobre amamentação aqui. 



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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Duas mães - uma a amamentar e outra a dar leite de fórmula - na mesma sala. Eis o que aconteceu.

Estava eu a amamentar a Luísa, de um ano e dois meses, numa sala. Chega uma mãe, com um bebé pequenino, e prepara-lhe leite de fórmula. Ficaram os dois a comer, em silêncio. Eis o que aconteceu.

Começámos a conversar sobre... os nossos filhos (ela também tinha dois, com dois anos e picos de diferença). Do cansaço, das noites, de como já sabíamos, nesta segunda ronda, que tudo o que nos atormentava na primeira, iria ser passageiro. De como nos esquecíamos das coisas más. De como tínhamos tido amnésia selectiva para irmos ao segundo, num curto espaço de tempo. O primeiro filho dela começou a dormir melhor ao ano e meio, tal como a Isabel (que só dorme efectivamente bem agora e nem é sempre, mas já está bom assim). E lá fomos nós dar-lhes irmãos.

Nem uma palavra sobre mamas e leite. Nem "já anda e ainda mama?" nem "tão pequenino e já não mama?". Nem "isso já é vício". Nada. Nem um julgamento. Nem uma desculpa. E foi tão bom assim.

Não sinto que tenha sido um assunto tabu, apenas ninguém teve interesse em saber o que aconteceu à outra ou o que motiva cada uma. Estávamos apenas, lado a lado, a desabafar o que nos ia na alma, sobre tudo o resto, mesmo que não tenhamos feito as mesmas opções ou que não tenhamos tido a mesma sorte. Ou... o que seja. Estávamos, lado a lado, a ser Mães, a rirmo-nos, cansadas, e a desejar o melhor para os nossos filhos.

Que assim seja. Sempre.



[Não que não seja saudável falarmos sobre todos os assuntos, contarmos as nossas experiências, desmistificarmos algumas coisas, aprendermos umas com as outras... Pode ser bom, se não nos tentarmos impôr nem fizermos julgamentos. Mas às vezes não é disso sequer que precisamos.]


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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Amamentar uma miúda de 3 anos? Isso não é normal!


Primeiro, não é nada normal que publique fotografias minhas a amamentar. A relação com o meu corpo nunca foi muito pacífica e, se nunca imaginei a amamentar uma criança (nem pensava que viesse a ser mãe), também não imaginaria que teria fotografias disso e que muito menos as publicasse na net (ou que tivesse um blog de maternidade...). 


O que me leva a fazê-lo são os comentários que muitas das mães que amamentam além dos 6 meses de leite materno em exclusivo tal como recomenda da Organização Mundial de Saúde (às vezes, esses comentários, vêm até muito antes - credo!) estão sujeitas a ouvir.

Vêm de pessoas certamente não mal intencionadas. Falam repetidamente, sem consciência do que dizem ou dos efeitos que tal comentário possa vir a ter. Também serei assim noutras áreas e ainda não sei disso.  Porém, uma das coisas em que têm razão é que "isto não é nada normal". 



Não é "normal" amamentar uma criança de 3 anos. Não, não é. Já foi. Actualmente ainda não voltou a ser. E a verdade é que da mesma maneira que ver mães a amamentar sem pudores na rua ainda choca muita gente (ou mesmo com pudores), quem amamenta há mais tempo também recebe comentários. 

Ela já fala e ainda mama? Mas já tem dentes? Isso já é sexual. Que horror. Comigo não vai ser assim. Que vício. 

Todas temos os nossos motivos para amamentar mais ou menos, para insistir mais ou menos, para querer mais ou menos, para gostar mais ou menos. Muitos desses motivos, muitas de nós, nunca saberemos realmente quais são. 


No meu caso, o que me levou a amamentar e a querer amamentar tanto (não a forço, ela gosta haha) é o querer que a Irene tenha mãe suficiente. Não quero dizer com isto que quem não amamenta não é mãe o suficiente. Será. Amamentação não é sinal de maternidade. Porém, para mim, simboliza isso. Para mim era importante e ainda é que a Irene perceba que parte do nosso amor começou e dura ainda assim. 

Não tenho pressa para o deixar de fazer e mal ela me cabe no colo. Não ofereço maminha, espero que ela me peça e temos os nossos dois momentos por dia. Quando não existem (porque já se esqueceu uma vez ou outra), fico com saudades e a vez seguinte sabe-me ainda melhor. 

É raro conseguir pegar a Irene ao colo. Este é o nosso colo. Há 3 anos. Com muitas lágrimas, muitas tristezas, muitas más fases, mas com muitas coisas boas também.

Neste momento, só boas.

De manhã, quando acorda - as duas na ronha até decidirmos acordar ou à noite, antes de adormecer - depois da história - para ir quentinha e calma. 


Não é normal, mas é natural. Ambas gostamos de momento. E planeamos continuar assim, com naturalidade. 

Publico estas fotos (porque estão muito giras e foi a Joana Hall quem as tirou) para que, apesar de não ser normal ver miúdos de 3 anos a serem amamentados, haja mais umas tantas pessoas (vocês :)) que agora viram e que assim nos possamos apoiar umas às outras, independentemente das nossas escolhas pessoais. 

É uma aprendizagem à qual me junto. 


Coisinhas giras: 

Fotografias - Joana Hall

Roupas - Little Jack Baby Clothes (óptimo para amamentar)

Colar do coração (apaixonada) e brincos - Our Sins 



Tudo o que já foi escrito sobre amamentação no blog aqui.

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